LOUVEIRA.COM.BR entrevista Estanislau Steck, Superintendente da Agricultura e Pecuária no Estado de SP, sobre o acordo União Européia–Mercosul e os impactos para o agronegócio brasileiro

Estanislau Steck, Superintendente da Agricultura e Agropecuária no Estado de SP (imagem: divulgação)
O portal LOUVEIRA.COM.BR entrevistou, com exclusividade, Estanislau Steck, Superintendente Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Estado de São Paulo, ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), sobre o recente acordo entre o Mercosul e a União Europeia e o que isso significa para o setor agropecuário brasileiro. Estanislau Steck é natural de Louveira, formado em Medicina Veterinária, foi prefeito do município e hoje ocupa o cargo devido à sua sólida trajetória no agronegócio e conhecimento técnico na área.
Estanislau Steck, qual é a importância histórica desse acordo Mercosul-UE para o agronegócio brasileiro?
Este acordo representa um momento histórico para o agronegócio do Brasil e, em especial, para estados produtores como São Paulo. A União Europeia é um dos maiores mercados consumidores do mundo, com milhões de pessoas e poder aquisitivo elevado, e a redução progressiva de tarifas e barreiras comerciais abre oportunidades reais para nossos produtos no exterior. Isso oferece maior previsibilidade comercial para produtores de carnes, café, frutas, grãos e outros itens com forte presença na pauta brasileira.
Quais são os principais benefícios que produtores podem esperar?
O agronegócio brasileiro, graças à sua competitividade, eficiência produtiva e capacidade de atender padrões técnicos e sanitários exigentes, tende a ser um dos maiores beneficiados nesse novo arranjo comercial. A expectativa é que produtos com alto valor agregado tenham maior acesso ao mercado europeu, com redução de tarifas e novos canais de exportação, o que pode resultar em mais receitas e em diversificação das exportações. O acordo também amplia a participação das empresas brasileiras em compras no mercado europeu, o que é uma excelente janela para expandir mercados fora do eixo tradicional.
E quanto às restrições e pontos que ainda precisam de atenção na implementação?
É importante destacar que o acordo não é uma solução imediata. Existem mecanismos de cotas e salvaguardas, especialmente para produtos sensíveis como carnes bovina, aves e suínas, que limitarão inicialmente o volume que pode entrar no mercado europeu sem tarifas.
Esses mecanismos refletem a necessidade de proteger mercados locais na Europa e também mostram que este é um comércio administrado, e não completamente livre. A implementação gradual exige que o Brasil se adeque às exigências técnicas, sanitárias e ambientais que acompanham esse tipo de negociação.
Além disso, ainda há questões regulatórias e procedimentos legislativos a serem concluídos nos parlamentos dos países europeus e pelos próprios países do Mercosul antes que o acordo entre em vigor pleno.
Há preocupações levantadas por especialistas ou setores da sociedade?
Sim, e elas são legítimas. Do lado europeu, houve resistência de produtores em países como França e Polônia, que temem a competição com produtos brasileiros.
Por aqui, a preocupação gira em torno de que as exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade sejam cada vez mais técnicas e específicas ao padrão europeu. Isso reforça para nós no Brasil a necessidade de produtos que atendam ou superem essas normas, ao mesmo tempo em que fortalecemos nossa defesa sanitária, logística e capacidade de suporte técnico ao produtor.
Como superintendente, qual é sua avaliação sobre os próximos passos para o agro paulista e brasileiro?
Esse acordo exige que todos os elos da cadeia produtiva estejam preparados — desde o campo até a exportação. Precisamos investir em tecnologia, certificação, infraestrutura e integração entre produtores, indústria e governo para aproveitar ao máximo as oportunidades que surgirão. Isso inclui ampliar nossa capacidade de rastreabilidade, qualidade e eficiência logística, além de fortalecer a sanidade animal e vegetal.
Também é fundamental que os produtores e agentes públicos acompanhem de perto a regulamentação, dialogando com parlamentares, entidades representativas e operadores de comércio para garantir que o Brasil não apenas acesse, mas conquiste mercados de maneira sustentável e competitiva.
Para finalizar, qual recado você deixa aos produtores rurais sobre esse momento?
Aos produtores, principalmente aos pequenos e médios, falo como alguém que acompanha de perto a vida no campo e sabe das dificuldades do dia a dia. A gente sabe que não é fácil, mas esse é um daqueles momentos em que vale a pena se organizar e seguir em frente. É uma nova oportunidade que está surgindo, e quem fizer as coisas bem feitas vai conseguir crescer, melhorar a renda da família e ajudar a fortalecer a nossa economia.