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Louveirando: As Montanhas de Todos Nós

Coluna de João Batista

Louveirando: As Montanhas de Todos Nós

(imagem: João Batista)

As Montanhas de Todos Nós

por João Batista

Primeiro eu ouvi os passos de uma pessoa vindo em direção ao altar, este lindo altar da Igreja de São Sebastião aqui na nossa Louveira. Ao se aproximar, os passos, eram de uma pessoa simples, na nossa definição de simplicidade, ou seja, chinelos havaianas, short colorido, camiseta estampada e um sorriso feliz, simples e feliz. Não percebi se enfiou a mão no bolso ou se a moeda já estava em sua mão, mas sei, com certeza, que houve caridade naquele gesto. Olhou para o altar e soltou a moeda na urna apropriada para as doações. Ouvi o barulho da moeda bater no fundo da urna de madeira, sinal a meu juízo, de que a urna estava vazia ou quase.

Gostei do que vi!

Continuei sentado no primeiro banco da igreja e ouvi novos passos, um pouco mais lentos e com um som mais abafado. Quando o moço chegou bem em frente ao altar, notei que ele estava descalço. Ele mirou o altar e começou a fazer um sermão, num português perfeito, audível e crível. Disse mais ou menos assim: “Senhor Jesus, eu estou aqui hoje para agradecer, embora saiba que não mereço tanta graça” – aqui discordei dele, pois tudo que temos ou passamos é por merecimento, seja algo bom ou não tão bom… continuando – “fico muito feliz pela vida que me foi dada por Deus e abençoada pelo Senhor. Não tenho andado no caminho reto ultimamente, mas mesmo assim o Senhor não tem me punido, ao contrário, tem me abençoado a cada dia. Olho ao meu redor e percebo a pobreza nos corações das pessoas, e isso, me faz ficar triste, não infeliz, mas triste sim.”

“Por isso rogo ao Senhor que faça com que cada um de nós perceba a graça de estar vivo, poder caminhar e vir até a Tua casa. Não tenho uma religião definida, mas com certeza, tenho em mim o cristianismo mais puro, e sei que o Senhor me compreende. Sei também que além deste lindo altar há uma fé dos que aqui comparecem com o coração apertado, falo aqui da fé do Senhor nessas pessoas, mesmo sabendo que muitas dessas pessoas, sem julgamento da minha parte, comparecem por obrigação ou apenas por um hábito. Mas como o Senhor ama a todos igualmente, não tenho dúvida de que os acolhe com igualdade, e mais ainda, acredita que se uma palavra aqui dita for ouvida com o coração, o trabalho foi perfeito. Amém!”

Eu me emocionei com essas palavras e percebi que eu também estou no bojo do que faz as coisas muitas vezes, no tocante à religião, somente por obrigação. Embora eu não seja católico, compareço às igrejas católicas com muita frequência. Gosto muito e me sinto fortalecido, ora pelo silêncio, ora pelo burburinho promovido pelos que ali comparecem. Saí sorrindo e feliz; voltarei!

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