Louveirando: Era Preciso Que Eu Dissesse Isso
Coluna de João Batista
Estação Ferroviária de Louveira (imagem: João Batista)
TRILHA SONORA: ENCONTROS E DESPEDIDAS – MILTON NASCIMENTO
ERA PRECISO QUE EU DISSESSE ISSO
por João Batista
Sempre que me sento em qualquer um dos bancos desta estação, falo aqui da Estação Ferroviária de Louveira, me vem à cabeça tomando a minha imaginação, o tanto de histórias que poderiam ser contadas e vividas aqui neste local tão lindo da nossa cidade. Lindo e histórico. E, embora eu aqui não queira me reter em datas, por não ser este o objetivo do que escrevo, as datas marcaram e marcam a história de cada um que passou ou passa por aqui, como os bicicleteiros diurnos e noturnos que observo a qualquer hora que eu passe pela estação. Também observo, sem querer nomear responsabilidades, as pessoas que ali moram por algum tempo, aqueles que comumente chamamos de “moradores de rua”. Estes não me incomodam, mas me chamam a atenção.
As imagens que meu cérebro produz, tenha eu vivido ou não aquele momento, me fazem viajar por incontáveis destinos, ou mesmo quando apenas fico ali sentado por horas ou minutos, é inegável que viajo quase da mesma forma. Pois tudo ali me remete, ouso dizer, nos remete aos movimentos dos trens e dos transeuntes que mesclam a paisagem. Os trens apitam, as pessoas falam e a vida segue o seu rumo, a pé ou a bordo de algum vagão. Neste ponto rio muito, ao me lembrar justamente agora, que a Vandinha Estábile, é uma concorrente de peso em relação a quantidade de fotos em meus arquivos, por não termos certeza até o presente momento, se há mais fotos da estação ou fotos desta minha amiga querida, arquivadas em minhas nuvens.
Hoje a estação não recebe trem de passageiros, por enquanto, segundo ouço, pois há projetos de retomada desta tão magnifica modalidade. Econômica, segura, divertida e acima de tudo agregadora de pessoas, pois as junta de alguma forma, pelo menos de uma estação a outra. E, neste intervalo, pode-se conhecer até o amor da vida da gente, as famosas almas gêmeas. Os trens de carga que hoje transitam por aquelas linhas, são sempre prestigiados, como que anunciando os próximos modelos de trem, e, quando apitam, os apitos se traduzem em esperança de que em breve, os trens de passageiros também apitarão ao passarem, e o mais importante, pararem para que os passageiros desembarquem e embarquem, como acontecia há alguns anos.
Imagino eu, pois não sou tão antigo assim, a quantidade de encontros e até desencontros que esta estação testemunhou impávida, como uma observadora, quase muda, as lágrimas ou sorrisos, os silêncios ou algazarras dos seres vivos que ocuparam aquele espaço sagrado, pertencente a todos eles por algum tempo. Também havia e há muitos, penso eu, que vão até a estação somente para apreciar a paisagem, respirar o ar que insiste em se movimentar, refrescando os dias mais quentes, ou então resfriando os dias mais amenos, e se forem dias frios então, aí não tem jeito, é congelante. Ao mesmo tempo, posso afirmar que estas várias estações também são atrações dentro desta estação.
A ocupação da estação, após a restauração, vem se tornando um hábito, seja com as feiras de terça, com produtos locais, pasteis e caldo de cana; seja nas datas festivas, como o carnaval, por exemplo, que é invadida por foliões alegres e felizes. Também se realiza ali, os sábados culturais, as feiras de artesanatos, os encontros de motos ou de chopeiros, enfim, tudo pode ser realizado naquele, digo, neste lindo espaço que atrai gente de muitos lugares. O único porém, por mim observado, é que as vezes as plantas em seus vasos estão com a terra seca, mas isso, a meu juízo, é o mais fácil de se resolver. Se é assim, resolvamos então. Feito isso, numa próxima oportunidade escreverei: ”o lugar perfeito existe”.

Brasileiro de Louveira, pedagogo, membro da ALLA – Academia Louveirense de Letras e Artes, colunista e criador da expressão “louveirando”; um bobo por natureza.
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