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# Tenho em mim todos os sonhos do mundo
- URL: https://louveira.com.br/tenho-em-mim-todos-os-sonhos-do-mundo/
- Published: 2025-05-21T11:30:43.000Z
- Updated: 2026-09-15T03:10:40.000Z
- Description: Coluna de Jussara Camara
- Author: Jussara Camara
- Tags: Opinião, Colunas, Cultura, #Migrated-1789441767824, #wp, #wp-post, #Import 2026-09-15 03:09

## Tenho em mim todos os sonhos do mundo

#### por Jussara Câmara

Estive em Lisboa e visitei a casa de Fernando Pessoa. Queria conhecer de perto como era este poeta, ensaísta, tradutor, astrólogo e crítico literário nascido em 1888 e falecido em 1935.

Em sua obra principal "Desassossego", ele fala da existência, como é difícil se adaptar à realidade e de saber qual é a verdade. Assim era ele. Sua infância foi em Durban, colônia britânica na África do Sul, onde seu padrasto era cônsul português e mais tarde, mudou-se para Portugal.

O poeta tinha sintomas depressivos e dissociação de personalidade, o que lhe ocasionou distúrbios de personalidade múltipla. Desta maneira, Fernando Pessoa criou autores fictícios, cada um com características individuais, que expressavam seus pensamentos. Os mais conhecidos são: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares e Álvaro de Campos.

No poema "Tabacaria" de Álvaro lia-se:

*"Não sou nada,* 
*Nunca serei nada,* 
*Não posso querer ser nada.* 
*À parte disso, tenho em mim* 
*todos os sonhos do mundo."*

Essas palavras tem muito a ver com a personalidade auto-destrutiva e ao mesmo tempo, muito criativa de Fernando, vista através dos seus heterônimos, personagens com características individuais, desde a data de nascimento, tipo físico e signos, que eram os mensageiros de seus pensamentos.

Igual a uma criança brincando, Fernando Pessoa criou um mundo fantástico, onde ele vivia, com seus amigos fictícios. Neste cenário, conheceu Ofélia, seu único e grande amor, que foi trabalhar com ele. Ele tinha 31 anos e ela 19, quando se apaixonaram.

*"Não sei quantas almas tenho.* 
*Cada momento mudei.* 
*Continuamente me estranho.* 
*Nunca me vi, nem acabei.* 
*De tanto ser só, tenho alma.* 
*Quem tem alma, não tem calma.* 
*Quem vê é só o que vê.* 
*Quem sente não é quem é* 
*Atento ao que dou e vejo* 
*Torno-me eles e não eu."*

Esse era Fernando Pessoa.

Fotos: Jussara Camara