Louveirando: Chuta Lata
Coluna de João Batista
(imagem: João Batista)
♪ POST COM TRILHA SONORA ♪
Para uma experiência mais envolvente e imersiva, ouça a música especialmente selecionada pelo autor para acompanhar a sua leitura, proporcionando uma harmonia entre som e palavra que transporta você para um ambiente de novas emoções e sensações.
Trilha Sonora:
Lata d´água / Elza Soares
Chuta Lata
por João Batista
“Click silencioso”…
Não, não chutei a lata, pelo menos desta vez, nesta hora e neste lugar, não. Mas, para compensar, a fotografei em vários ângulos, e, redonda que é, quase riu de mim, a danada. Nos meus idos anos verdes, eu a chutaria com bastante força,, mas deixo claro aqui que nunca fui um chutador exímio, daqueles que miram e acertam. Eu poderia acertar se a chutasse, mas não, não a chutei.
Por outro lado a observei muito, como as suas cores, sua redondês, o lacre arrancado para que o líquido fosse sorvido, bem como me pus a pensar no por quê dela, a lata, estar justamente ali, em pé ao sol e toda garbosa, num local em que passa muita gente. Digo isso por perceber que onde tem uma latinha vazia, alguém a surrupia e a vende como uma escrava, por aparentemente não ter vontade própria. Aqui faço uma ressalva, dolorosa ressalva, a escrava vendida tinha muita vontade própria, mas não era respeitada, aliás, era muito desrespeitada.
E se aparecesse um cachorro vira-lata, como seria a conduta dele em relação à latinha? E se uma menina que gostasse de chutar lata, por ali passasse? E se alguém com uma vontade louca de fazer “pipi” ali chegasse? E seu eu não aparecesse? E se ali não fosse uma calçada asfaltada? E se algum drogado aparecesse? São perguntas pertinentes em relação a uma lata aparentemente tão sozinha naquele local.
Bem, rindo de mim mesmo, apenas a deixei lá após fotografá-la, como se a mesma não tivesse nenhuma importância. João, João… alumínio tem importância. Tinta tem importância. Marca tem importância. Mas a latinha, assim a chamo com carinho, e não, para diminui-la, pois não há importância no que eu ache ou diga a respeito daquela ou dessa lata, e, por ser objeto no sentido amplo da palavra, ficará imóvel ali, até que alguém dos supra citados apareça e aja diferente da minha forma de agir.
Rindo bastante das palavras ditas e escritas sobre a lata e todo o cenário, pensei cá comigo, que por ter deixado a lata intacta em relação à posição que a encontrei, não tenho complexo de vira lata.

Brasileiro de Louveira, pedagogo, membro da ALLA – Academia Louveirense de Letras e Artes, colunista e criador da expressão “louveirando”; um bobo por natureza.
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