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Louveirando: Feio, eu?

Coluna de João Batista

Louveirando: Feio, eu?

Barraca do Zabé (imagem: João Batista)

TRILHA SONORA: A AMIZADE / FUNDO DE QUINTAL

Feio, eu?

por João Batista

Sempre que chegava alguém na barraca do Zabé, era recebido com uma saudação bem humorada, justamente estas: “fala feio” ou “fala feia”. Ninguém se ofendia ou se sentia mais ou menos feio por isso, aliás todos o cumprimentavam sorrindo, e até soltavam um “feio é você.” Era um jargão do Zabé, desde o início, quando montou a barraca de cachorro-quente ali no centro de Louveira, em cima do ponto de ônibus. Após os eventos sociais de Louveira, e até da região, as pessoas iam para o Cachorro-Quente do Zabé, encerrar a noite de barriga cheia.

Na semana passada, estivemos eu e um amigo, na Barraca do Zabé, para comer o último lanche da noite, um cachorro-quente especial, por volta da meia-noite. Chegamos falando alto com a Edilene, filha do Zabé, e amiga nossa, sobre as coisas triviais da vida. Pedimos os nossos lanches pra viagem, e enquanto aguardávamos continuamos a nossa prosa. Como na maioria das vezes, havia bastante gente no local.

Ela nos disse que iriam para a praia logo de manhãzinha, em dois carros. Zabé e algumas pessoas em um; ela e outras pessoas em outro. Até, me lembro bem, o Zabé pegou a chave do carro dela para abastecer, pois o dele já estava abastecido. Antes dele sair, conversamos um pouco, como era de praxe, sempre que íamos lá. Estavam todos felizes e logo estariam na praia, pois um novo raiar do sol se avizinhava.

“Além dos lanches saborosos, Zabé conquistou Louveira com sua personalidade irreverente e seu jargão marcante. Ao chegar em sua lanchonete, era impossível não ouvir seu animado ‘E aí, feio?’, ao que todos respondiam entre risadas: ‘Você também é feio!’. A brincadeira se tornou um símbolo de sua presença alegre e única.” Trecho da matéria da Folha Notícias do dia 3/2/2025, com o qual concordo.

Louveira perdeu um personagem icônico, que ficará gravado na história de Louveira pelos anos vindouros, como acontece com os personagens relevantes que partiram da nossa cidade. Será lembrado pelos lanches, pelas histórias, pelo jargão, e, as madrugadas para muitos serão de saudades. Falo da madrugada, pois eu próprio vou muito saborear os lanches do Zabé, em especial o cachorro-quente, sempre às madrugadas. E ali encontro tanta gente madrugadeira; gente que se sente feliz por estar ali junto aos demais madrugadeiros.

A vida segue, e Zabé seguirá conosco, dentro do coração de cada um que o conheceu. Uns de uma forma, outros de outra forma, mas com certeza, será lembrado, pois cada um de nós, que viveu a experiência do convívio com ele, acredito eu, não o esquecerá. Com certeza ele foi recebido com amor no plano espiritual. Até logo, Zabé!

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