Louveirando: Pingando História
Coluna de João Batista
(imagem: João Bastista)
TRILHA SONORA: ENCONTROS E DESPEDIDAS / MILTON NASCIMENTO
Pingando História
por João Batista
Em cada pingo um brilho da luz artificial que alumia a cidade, mais precisamente aqui da região central de Louveira, bem no símbolo maior da nossa cidade, que na minha opinião, é a Estação Ferroviária. Não era um dia qualquer, e sim mais um dia de fevereiro deste ano muito quente de 2025. Sabemos todos que fevereiro é um mês de chuva aqui na nossa região, assim como sabemos que se faz muito calor, mas este ano especificamente, me parece que tudo está exagerado.
Sim, mas não há exagero ao afirmar que a Estação está sempre bonita, ora mais caprichada em seus adornos, ora menos caprichada, mas sempre atraente aos que já a conhecem há tempo e os que estão conhecendo por agora. Eu me sento muitas vezes, assim como muitas pessoas o faz e aprecio tudo ali à minha, nossa, volta. É sempre muito criativo imaginar as histórias vividas ali pelas pessoas e até pelos animais que ali aportam.
Nesta sexta, dia do registro, eu parei com o carro bem embaixo das tendas que acolhem a feira dos produtores, acontecimento muito importante das terças-feiras, com início à tardinha. Tendas que acolhem as festividades da cidade, assim como acredito, acolherão os foliões do próximo carnaval. Aliás, os carnavais ali realizados, foram supimpas. Sucesso de público e de crítica, embora eu pessoalmente não acredite em crítica como uma coisa boa. Mas o carnaval me desmentiu! Que bom! Minto aqui, continuo não acreditando que exista crítica boa, que, a meu juízo, é traduzida por elogio. Agora sim, posso afirmar, houve muitos elogios.
Fiquei ali estacionado por volta de vinte e sete minutos, ouvindo o barulho da chuva, o som dos carros e das motos que passavam espalhando a água empossada, bem como de alguns transeuntes que, assim como eu, estavam esperando a chuva passar. E não é que passou? Passada a chuva eu me dirigi ao carro, mas antes de entrar, dei mais uma volta por este nosso patrimônio, que de tanto estar ali, penso eu, passa despercebido por algumas pessoas. Não por mim, claro, pois todas as vezes que passo por ali, e olha que são muitas, lanço um olhar de admiração para este nosso patrimônio.
Assim como eu, sei que existem mais pessoas que se importam com a Estação, mas se importar apenas não resolve muito. Acredito eu que este local tão histórico, não por quer eu ou alguém queira, mas histórico por si mesmo merece uma atenção maior de todos nós. Ser louveirense inclui, a meu ver, estar presente e se sentar ali pelo menos uma vez por ano. Vá, desfrute e depois conte a tua experiência para alguém como faziam os antigos, que de boca em boca, ouvido a ouvido nos deixaram as histórias.

Brasileiro de Louveira, pedagogo, membro da ALLA – Academia Louveirense de Letras e Artes, colunista e criador da expressão “louveirando”; um bobo por natureza.
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